1 de dez de 2010

Identidade - Vale a Pena Fingir?

Faz algum tempo que penso em escrever algo sobre máscaras. Não quero escrever algo lógico, banal, não quero falar de trivialidades que envolvem este assunto, o problema - pois é um problema e dos grandes - é mais profundo do que meras palavras. Estes dias li um texto de Fernando Saraiva, autor do blog Shekinah da Vida, e uma pequena frase, mas de grande significado, ficou pairando em minha mente e deu o empurrão que faltava para que as palavras que há tempos borbulham aqui dentro fluíssem pelos meus dedos - e dizia assim:

"Todos os dias busco uma identidade pessoal, algo difícil de construir, e sei que levará um bom tempo para ser terminada."

Todos os dias busco uma identidade pessoal... Como eu gostaria de ser? Com quem gostaria de me parecer? Não quero estas rugas, nem este nariz afilado demais; não posso deixar que percebam que não sou tão forte como demonstro ser, que há tantas coisas sobre as quais nada sei. Não desejo ser esta pessoa impulsiva, que não contém as lágrimas, um fraco, talvez... Quero ser popular, ter amigos, ter bens... coisas do gênero. Não faz sentido ser como sou, ser quem sou, se as pessoas nem sempre gostam do que vêem depois da embalagem. Daí as máscaras... Simplesmente viável, perfeito, confortável. Será mesmo?

Quando estiver triste, mostrarei um sorriso sem graça, mas de tal forma plastificado, enfeitado, maquiado, que as lágrimas que escorrem pelo meu rosto não serão notadas, tamanho seu brilho, ainda que falso. Quando com raiva, com vontade de jogar tudo pro alto e encarar que sou tempestivo, me cobrirei com o véu da tranquilidade, mostrarei toda minha amabilidade, compreensão e paciência. E os meus defeitos? Bem, irei ignorá-los, eles só atrapalham, e se fingir que não existem, desaparecerão... se não "existem" pra mim, não existem pros outros.

E meus pecados? Bobagem! O que há hoje é um desvio de conduta, algo muito simples, nada de alarmante. Isso a que chamam de pecado nada mais é do que argumento da oposição, palavras de fanáticos... Sou uma pessoa boa, atenciosa, faço tudo que estiver ao meu alcance para ajudar a todos, que história é essa agora? Só por que vez ou outra escorrego um pouco aqui e ali, em umas coisinhas tolas, você vem apontar o dedo pra mim? Você é diferente de mim?

Conhecemos muito bem estes argumentos, de ouvir falar e principalmente de ditá-los para nós mesmos, de repetí-los até a exaustão - quem sabe assim não nos convencemos, não é mesmo?! E de tanto fingir, de tanto encenar, perdemos nossa verdadeira identidade. Olhamos no espelho e este rosto, este sorriso, estas roupas, tornam-se parte de nós, ou melhor, nos tornamos parte delas, um enfeite a mais, uma peça de brechó. E quem somos? Investimos tanto tempo, esforço e dinheiro em mostrar aos outros o que não somos... Construímos nossas vidas em torno de toneladas de lixo. E pra que? Aceitação?! Então eu pergunto: Como buscar aceitação, se nem ao menos sabem quem sou de fato?

Enquanto passamos a vida inteira tentando manter uma situação insustentável, pois é certo que em algum momento a máscara irá ruir, perdemos a chance de vivermos e convivermos com as pessoas de forma normal, aceitando que não somos super homens ou mulheres, e o que é pior, perdemos a oportunidade de sermos aceitos verdadeiramente como somos, mas não somente isto, perdemos a oportunidade de sermos moldados, tratados e transformados em seres humanos melhores, como fomos criados para ser. Fingimos que vale a pena fingir... e isso tem um preço alto e amargo demais!

Independente de qualquer coisa, esquecemos de Alguém que nos vê como realmente somos, do Deus que nos aceita a tal ponto que não poupou a vida do Seu próprio filho para que pudéssemos ser introduzidos diante dos Seus olhos de amor, na Sua presença, aquele que está interessado em não apenas nos receber em trajes imundos em Sua casa, mas em trocá-los e desfazer a sujeira em que nos encontramos. Interessado em quebrar nossas máscaras e rasgar nossas capas, para que nosso fulgor antes ultrajado por elas, brilhe, mostrando que não vale a pena fingir, não precisamos fingir, pois somos Sua imagem e semelhança, e ainda que esta imagem e semelhança esteja corrompida, Ele deseja e pode restaurá-las!


A verdade é que somos nós mesmos que determinamos se vamos usar máscaras ou não. Quem seremos. Uma coisa eu sei, a identidade que pretendo construir a cada dia, ainda que dure tempo, ainda que me custe muito, é a de filha de Deus, Sua imagem e semelhança restaurada! Nenhum preço pode ser mais alto do que aquele que Ele pagou por nós na cruz!

"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito (filho único), para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3.16) E por que Ele amou, não preciso mais fingir, e por isso, João 3.16 hoje pode ter um significado muito maior, vivo e atual para mim e para você!


2 comentários:

Fernando Saraiva disse...

Graça e Paz.
Gerlane Oliveira,

Não são poucas as vezes que representamos um personagem em nossas vidas, nos vestimos de santidade e somos os piores pecadores, nos vestimos de humildade, e somos imperiosamente orgulhosos e soberbos!!!!

Quantas vezes, não representamos algo em nossas vidas, até representamos “nossos próprios” sentimos, ações, gestos, carinho...Muitas vezes nos moldamos conforme a conveniência .

Mas a palavra de DEUS é poderosa e eficaz:

“Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. I Co 13.9-12.

Shalom!!!

Gerlane Oliveira disse...

Amém Fernando!

Que nossas máscaras caíam e nossa verdadeira identidade - a de filhos de Deus - brilhe cada vez mais, mostrando ao mundo a grandeza do nosso Pai.

Paz!