31 de out de 2011

Cotidiano - Enxergando nas Entrelinhas!



O cotidiano deve nos aproximar e não nos levar para longe de Deus. São as atividades costumeiras de cada dia, que constituem nossa vida. Quando se trata de viver para e com Deus, não há uma dissociação daquilo que fazemos durante o dia de culto, seja ele domingo ou outro qualquer, e nos demais dias.

É tão próprio do cristão levantar suas mãos em adoração, quanto buscar os filhos na escola, nutrir-se da Palavra que sustenta e dá crescimento, como preparar o alimento indispensável ao sustento do corpo, ser parte da família de Cristo, como constituir a própria.

Desde o instante do seu nascimento até o momento de sua morte, o homem é humano,ainda que neste processo se corrompa e tenha atitudes próprias de animais, contudo, não se transforma em um. Um homem não deixa de o ser ao entrar em uma padaria ou ao mudar de país. Continuará como tal aqui ou mesmo se preferir vagar pelo espaço. Da mesma forma, o cristão não deixa de ser cristão quando sai da igreja(templo), muito pelo contrário, se ele é um cristão genuíno, o será em seu trabalho, em sua casa, ou em qualquer outro lugar ou circunstância.

Sabemos que situações trágicas têm a tendência de nos fazer voltarmos para Deus, mas isto não deveria ser, ou melhor, não deve ser a regra que impera em nossa vida. O cotidiano não deve nos afastar de Deus, antes de tudo, deve nos direcionar para Ele.

  • Momentos de insônia: oportunidade em meio ao silêncio da noite de ouvir a voz de Deus.
  • Afazeres domésticos, reuniões; em meio a processos nos tribunais,salvando vidas, preparando a terra, no calor do dia, com a enxada na mão: lembrança de que Deus nos dotou com dons e talentos. Seremos bons mordomos daquilo que nos foi confiado? Lembremos ainda que nada é nosso, tudo é do Senhor: "Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos." (1 Crônicas 29.14b)
  • Trânsito: oportunidade de nos aquietarmos e buscarmos a Deus.
  • Envelhecer: a idade é um gentil lembrete de que estamos mais perto do lar do que imaginamos.
  • Erros: há a possibilidade de voltar para o caminho. Persevere um pouco mais!
  • Visitas a consultórios médicos que nunca cessam, remédios, em uma cama de hospital ou em um funeral: a certeza de que apesar de toda dor, Deus está ao nosso lado e cuida de nós. Não há razão para temer: um dia a própria morte irá morrer! "O último inimigo a ser destruído é a morte." (1 Coríntios 15.26) Como bem enfatiza uma música, bastante feliz em toda sua estrutura, da Banda Resgate: "Eu vou me lembrar, que quando eu morrer, eu vou viver!"
Imagem: Lenara Monteschio

São as histórias que vivemos todos os dias que realmente importam. As histórias narradas em nossos livros ou filmes favoritos nem de perto se comparam com o que podemos desfrutar em nosso cotidiano, se voltados para Deus! Elas apenas contam com um pouco mais de fantasia o que enfrentamos em nossa realidade. Mas antes de tudo, o cotidiano deve nos mostrar que apesar de qualquer coisa, Deus está! E isto basta!

Deus vos abençoe!














30 de jul de 2011

Quem é Deus? A Perfeita Definição!


Algo bem peculiar ao ser humano é determinar para si conceitos sobre tudo o que lhe rodeia ou diz respeito a si mesmo. Simplesmente não conseguimos viver sem estes conceitos; é uma forma que encontramos para facilitar nossa vida, visto que, conhecer em vários aspectos - se possível, todos - algo ou alguém, nos dá segurança para agir diante de certas circunstâncias que vão se impondo durante nossa trajetória, no dia-a-dia. Enfim, podemos dizer que é uma necessidade.

Se a satisfação desta necessidade traz bem-estar, é igualmente verdadeiro, que em determinadas situações, torna-se potencialmente problemático, uma vez que ao ditarmos definições para coisas, pessoas e tudo o mais que nos cerca, há o risco de cometermos erros, pois fazemos isto baseados em nossos próprios sentimentos, valores e "achismos", e não devemos nos esquecer que muitas vezes, esses valores são invertidos, os pensamentos preconceituosos, os sentimentos enganosos e nossa visão é insuficiente e nebulosa; daí que podemos resumir tudo isto em uma única sentença:

"Quem se descreve se limita."(Lembrando que descrever é uma forma de determinar conceitos, assim como classificar, separar em grupos, etc.)

Se há o risco de nos enganarmos e cometermos injustiças - e pode ter certeza que há - ao dar "nome aos bois", digamos assim, imagine quando decidimos fazer isto em relação a Deus, a Seus atributos, à Sua essência. Veja bem, não me interprete mal. Não estou dizendo com isso, que não podemos ou devemos ter uma noção sobre Deus ou sobre tudo o que existe. O que quero dizer é que devemos varrer para longe de nós as noções equivocadas!

Certamente não deve ser novidade para você a imagem vendida de um deus como um velhinho, de barbas e cabelos grandes, vestido de branco e sentado em uma nuvem. Um deus avô: e uma boa paráfrase disso é o Papai Noel. Ou então a imagem de um homem carrancudo, mal-humorado, tirano e irado, que espera apenas um pequeno deslize seu para mandá-lo para o fogo eterno. Uns apelam para a figura do pai negligente que "passa a mão pela cabeça do filho" e esquece da correção necessária, enquanto outros se apropriam de um deus fantoche, manipulado pela disputa partidária ou política, visando interesses próprios.

Como definir o que não entendemos? Como limitar o ilimitado, como descrever o indescritível? Deus não é do nosso tamanho, aquilo que nos aflige não O atemoriza e nossas vãs definições sobre Ele não O atingem, não mudam Sua essência. Palavras ou testemunhos ruins, nossas quedas não jogam lama sobre Seu nome. Ele não pertence a um grupo político, nem será colocado em uma caixa, como se fosse um boneco da religião.

Ao contrário do que pensamos, Seu amor não está dissociado de Sua justiça, Ele disciplina a todo aquele que ama:
"Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o Senhor, teu Deus." (Deuteronômio 8.5) "Eu repreendo e disciplino a quantos amo." (Apocalipse 3.19a) As nuvens são estrado dos Seus pés, Sua misericórdia perdura eternamente e Seu amor é indizível!

O que importa de fato, não são as idéias que nossas mentes formam a Seu respeito, antes, o que Ele pensa a nosso respeito! Algo digno de reflexão. Mas uma vez que a necessidade de definição não nos abandona, tenha em mente algo muito importante, sendo Deus indescritível, Ele também providenciou isto para nós:

Jesus é a mais perfeita definição de Deus -
Jesus nos mostrou quem é Deus!

Concluindo, deixo este vídeo para reflexão, cuja mensagem fala exatamente do que tratamos no texto de hoje. Peço desculpas pelo fato de estar sem tradução, infelizmente não encontrei a legenda.

Deus os abençoe.

22 de jun de 2011

Mais uma vez - Tempo!

Vivemos em um mundo corrido. Fato! Aliás, o lema do hoje é : "Corra! Não pense em parar, muito menos em ir devagar, do contrário, você fica pra trás!"

Em decorrência de tanta correria, temos atropelado as etapas que a vida sabiamente nos apresenta. E as consequências são terríveis! No curso normal das coisas, por exemplo, são necessários exatos nove meses a fim de que uma criança seja formada, se este tempo não for respeitado, pode nascer com problemas graves e em casos mais drásticos, até mesmo morrer. Ninguém planta uma árvore hoje esperando que esteja adulta e produzindo frutos amanhã. Da mesma forma, duas pessoas não se conhecem agora e imediatamente se propõem em casamento. Nenhum estudante chega à faculdade após ser alfabetizado, antes, tem de trilhar a estrada preparatória para isso, passando pelo ensino fundamental, médio e depois pelo vestibular.

Uma casa não é construída em cinco minutos, nem uma amizade em apenas uma rápida conversa. Nada na vida é alcançado sem que passemos por etapas. Esperar não é fácil, seja pelo que for, mas é durante a espera que nos preparamos devidamente para usufruir daquilo pelo qual esperamos. Isso me faz lembrar de algo que vi ontem no twitter, o Thiago Grulha escreveu com muita propriedade que "Deus prepara oportunidades pra você, mas deseja te preparar para as oportunidades também." Uma das maneiras de Deus fazer isto é justamente nos colocando em Sua sala de espera.

Quando desvalorizamos a importância e a razão desses períodos que envolvem toda nossa vida, passamos pelas situações diárias sem identificarmos o que de fato ocorreu, e quando percebemos, já é bem tarde para evitarmos muitos sofrimentos e erros desnecessários. A mídia em toda sua extensão cada dia mais acentua isto, porém, infelizmente, não soa como um alerta, mas como uma espécie de prazer mórbido.

Namorados desfrutando dos benefícios e direitos de casados, e, diga-se de passagem, sem maturidade e responsabilidade alguma, aliado a isto, abortos são praticados como sendo tão inofensivos e banais como um simples trocar de roupa. Casamentos são desfeitos porque as pessoas não suportam sequer enfrentar as situações difíceis, situações estas as quais fizeram menção em seus votos matrimoniais, e já "pulam fora", melhor dizendo, muitos se casam com a mente cheia do pensamento: "se não der certo, a gente separa."

Adoecemos porque o tempo preciso para a maturação dos alimentos não é respeitado, utilizando-se então, produtos tóxicos e nocivos à saúde. Crianças hoje sabem muito mais do que os adultos, aliás, é difícil encontrar uma criança que age como tal nos nossos dias. Muitas delas aos cinco já namoram e aos sete já tiveram alguma experiência sexual, aos nove estão desiludidas amorosamente e aos onze são pais. Exagero? Infelizmente, não! Muitos enriquecem de uma hora pra outra, de forma ilícita, que fique bem claro, e por quê? Porque mais uma vez não esperaram os frutos do seu trabalho diário e contínuo, mas honesto. Inúmeros e lastimáveis são os exemplos.

Este é um tempo para pararmos um pouco de correr e nos aquietarmos, e enquanto fazemos isto, ponderarmos sobre o que temos feito de nossa vida, como isto afeta outros ao nosso redor, porque querendo ou não, sempre influencia, em maior ou menor proporção. Aquietarmos -nos para ouvir Deus falar conosco, pois em todo este caos, temos nos esquecido e nos privado de ouví-lo. Aprendermos que há o tempo certo para todas as coisas, e quando avistarmos as flores e os frutos saberemos que esta é a legítima recompensa que Deus nos tem dado.

Afinal, a prudência está em esperar e nos deleitarmos nEle que diz:

"Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz." (Eclesiastes 3. 1-8)

Deus os abençoe!

13 de abr de 2011

O Teor de Nossas Escolhas

Olá pessoal. Hoje irei compartilhar um texto escrito há um ano atrás para o C.D.C. (Conversa Decente Cristã), por ser um tema sempre atual e de importância relevante para nós. Espero que seja motivo de reflexão para todos. Sem mais delongas, vamos ao texto.

Um dia desses, estava olhando algumas coisas no computador, quando me deparei com o trailler de um filme. Parei um pouco e observei. O filme a que me refiro é 2012. Não muito tempo depois, o assisti. Já imaginava o que iria ver, e as impressões que ficaram dele não me cabe explicitá-las aqui, afinal, como dizem por aí "gosto é uma coisa que não se discute."

Desde o lançamento do filme citado acima, muito se tem dito sobre o fim dos tempos, e acredita-se até mesmo que o mundo irá terminar em 2o12. A internet está repleta de textos que falam do assunto, livros antigos e atuais foram publicados dissecando o tema. Quem não se lembra das profecias de Nostradamus - segundo elas, o mundo chegaria ao seu fim no ano 2000? Recordo-me perfeitamente daquele ano, pessoas escondendo-se debaixo das camas, fugindo para lugares inóspitos, e muitos chegaram ao extremo de dar cabo da própria vida.

Nos dias em que vivemos, a ocorrência de terremotos, desastres físicos, fome, miséria, guerras entre nações, a perseguição da igreja, entre muitos outros fatores, têm se mostrado cada vez mais intensos. Estes são apenas alguns dos vários acontecimentos que precederão o fim, segundo as próprias palavras de Jesus. (Marcos 13.3-27) Entretanto, quem é o homem, simples mortal, para determinar quando estas coisas acontecerão? O próprio Cristo deixou claro que nem mesmo Ele tinha tal conhecimento: "Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai." (Marcos 13.32)

Não sei o que você pensa a este respeito. Muitos acham que é apenas uma história, uma invenção humana. Talvez esteja se perguntando: Onde quero chegar com isso? O que eu desejo que você entenda, é que se o mundo terminar em 2012 ou não, se Cristo voltar daqui há dois anos ou dentro de dois dias, o fato é que se morrermos hoje significa que o mundo já terminou para nós e já nos encontramos com Cristo, e a forma como vivemos e as escolhas que fizemos farão toda diferença.

As pessoas têm se preocupado com o amanhã, mas se esquecem do agora. Temos vivido de tal forma que o nosso lema tem sido, como nos dias que antecederam o dilúvio: "Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos." "Vamos aproveitar tudo o que o mundo pode oferecer, nos prostituir, "soltar a franga", "sair do armário", porque amanhã vamos morrer." Inconscientemente, com esta filosofia, as pessoas simplesmente estão assumindo o veredicto: "vivemos de uma forma tão vazia, tão indigna de Deus, que não há solução, tudo está perdido para nós."

Mas o que quero que perceba é que isso é mentira. Deus tem concedido tempo a você, a oportunidade de repensar a sua vida, e fazer a escolha que determinará o seu futuro eterno: andar com Deus! "Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou o que dará o homem em troca da sua alma?" (Mateus 16.26) E por favor, não venha com saídas do tipo: "céu e inferno não existem, o inferno é aqui mesmo." Não subestime sua inteligência nem a minha.

Eu não sei quando Cristo virá. Não posso prever o que ocorrerá no próximo minuto, se amanhã estarei viva ou se haverá uma geração após esta que vislumbrará o Senhor descendo das nuvens nos céus, com poder e grande glória. Mas de uma coisa tenho certeza: esta, para mim, pode ser a última geração. Dessa forma, a escolha que tomei me impulsiona a agir de modo diferente. Ando com Deus, e desejo que você também ande com Ele e O conheça, e no que depender de mim, isso será possível.

A alternativa a que me proponho hoje é: marcar esta geração propagando a palavra da verdade, de forma que possa ver pessoas se reconciliando com Deus. E se amanhã eu vier a morrer, todos os meus esforços, meu tempo, minha vida, enfim, tudo o que gastei aqui, não terá sido em vão. Seu nome pode estar entre os milhares de soldados, que deixaram a zona de conforto e foram para frente de batalha, porque entenderam que "é muito mais fácil morrer como Jesus se você tiver vivido como Ele por toda uma vida." Isso vai depender tão somente de suas escolhas!

Que Deus, pois, possa abençoá-los, de maneira que as escolhas que fizerem aqui, sejam as melhores e providenciais para a eternidade.

24 de mar de 2011

Tudo é Belo Aqui!

Houve um "tempo" em que eu sorri. Tudo era muito bonito.... Mas sabe Deus, pensando bem, vejo que este "tempo" nunca existiu. Apesar de todos os medos gerados pela pressão do que o amanhã irá trazer, da dor já passada e da que ainda possa vir, da estufa de perspectivas e planos ainda estar meio adormecida, agora, percebo, o tempo atrás era apenas sombra da realidade.

Há a consciência de que há muitos mais que não têm perspectiva de absolutamente nada, e que nem ao menos O conhecem, e por mais que pareça, muitas vezes, não ser grata, eu sou. Sou grata por tudo o que tenho vivido com o Senhor e por Tua graça.

Há momentos como este em que o gelo aqui dentro se espalha e torna inverno o meu corpo e meu pensar. Algo há, porém, em que ele não pode tocar: a certeza de que não durará muito, o Sol brilhante que És irá aquecer-me com Tua luz e glória, e mais uma vez, poderei sorrir, não para esconder a dor que teima vir à superfície, mas inevitavelmente, como alguém que em meio à tempestade encontra em Ti seu refúgio e fortaleza.

Podes me ouvir? Sei que sim. E você, pode compreender o que escrevo? Sinceramente, não sei, a menos que compartilhe comigo. Eu não estaria "aqui" nesta estrada íngreme se não soubesse que é o único caminho para prosseguir. E ainda que tudo ao meu redor pareça desumano, injusto ou sem razão, prosseguirei, por que tenho aprendido que "Deus não tem o dever de suprir nossas expectativas, mas tem o prazer de suprir nossas necessidades!" (Paulo Baruk)

Não preciso viver entulhada de perguntas, embora elas insistam em orbitar minha mente. Não é o que anseio, pois sei que quanto mais sou subjugada pelo peso delas, não posso encontrar as respostas que são essenciais.

Tudo é belo aqui quando lembro que minha necessidade reside em Ti, e somente em Ti. E quando descubro o que de fato necessito, encontro igualmente em Ti a fonte onde cada sonho, cada pulsar ritmado do meu coração, cada fôlego de vida, é saciado!

Busco sempre mais riscar o "houve um tempo", por que exatamente hoje tudo é belo aqui!

"Pois o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente." (Salmos 9.18)

21 de fev de 2011

Saindo do Castelo da Dúvida.

Meu avô paterno costuma dizer que cada pessoa tem um calo e apenas ela sabe onde dói. É bem verdade que há motivos de sobra para nos envergonhar quando olhamos para nosso sofrimento quando comparado ao que tantos estão passando. Ainda sim, a dor ainda continua lá, intacta, e neste caso, o que meu avô diz tem coerência.

Por que estou falando de sofrimento? Por inúmeras razões, motivos não faltam, infelizmente. Ainda ontem uma moça de trinta e um anos, depois de ter seu corpo açoitado pela dor gerada por um câncer, enfim pôde descansar. Uma dor que dá espaço a outra agora, a saudade, a falta já sentida pela família.

Fome, guerras, doenças, medo, violência... Sonhos que não deixaram o mundo particular dos pensamentos, mas já naufragaram. Dor gerada pelo pecado, pessoas vergadas pelo peso dos anos, maus anos, repletos de desafios, quedas, humilhações, indiferença... Olhos que choram. Os meus próprios olhos... Não entendo tudo sobre isso, e às vezes, reconheço, não quero entender.

Uma coisa eu sei: enquanto os dias correm com o vento, quanto mais olho ao meu redor, e perscruto minha própria vida, posso chegar a uma conclusão: o sofrimento, se assim permitirmos, pode ser uma forma de crescer. Nada de masoquismo, não é isso.

Quando estamos quebrantados, literalmente no chão, descobrimos realmente nossas fraquezas e reconhecemos nossa dependência de Deus. É aí que aprendemos a olhar para o alto, não com a atitude de altivez, mas com olhos que suplicam a presença de um Deus amoroso, que veio até nós, não poupando Seu próprio Filho, e nos estende as mãos, nos acolhe em Seus braços e nos mostra o caminho certo a seguir. Cristo sofreu, e o sofrimento dEle não foi em vão. Ele entende perfeitamente o que sentimos, pois como homem, embora sem pecado, Ele partilhou de nossas dores e angústias.

Talvez este seja o momento certo de transformar a lágrima em riso, não tentando manter a aparência de alguém invicto, de super herói, mas como alguém que reconhece que a estrada pode ser íngreme, os montes escorregadios, e os abismos muito próximos, que podemos nos perder no caminho e pegar atalhos que nos levam ao Castelo da Dúvida, mas nosso Pai não permitirá que o Gigante Desespero* nos mantenha como reféns.

Como bem disse John Piper: "Há apenas uma maneira de escapar do gigante Desespero e do Castelo da Dúvida que é a persistência da esperança e a chave da promessa."

O melhor lugar para se estar é na presença de Deus, em todos os momentos, principalmente quando a alma grita e as lágrimas não são suficientes. "Porque quando estou fraco então sou forte." (2 Coríntios 12.10b)

Reflita nisto e Deus o abençoe.

*Gigante Desespero - personagem do livro O Peregrino - Jonh Bunyan


16 de jan de 2011

O Que Diz a Janela!


Uma janela... Por ela olho atenta o ambiente lá fora. Passam carros, freadas bruscas, pressa... Pessoas cujos semblantes são tão distintos e ao mesmo tempo tão similares. Sorrisos, olhos brilhantes, lágrimas a escorrer pela face. Aborrecimento, indiferença, fé, sonhos...

Junto com as estações e as mudanças climáticas, ciclos terminam e novas oportunidades aparecem. Mudanças - o que seríamos sem estas modeladoras de pensamentos e atitudes? Questiono-me.

O vento passa veloz por meu rosto, a chuva se faz anunciar no horizonte. Nuvens negras e pesadas, o cheiro de terra molhada e o sol que desponta com maestria após a tormenta, lembram que nada parou. Os homens continuam saindo para o trabalho, a correria acelera ainda mais o ritmo da locomotiva diária, os mortos continuam a ser lembrados e sua perda sentida, lamentada, chorada, enquanto os vivos tentam seguir em frente, se agarrando à esperança de que algo irá mudar. Tem que mudar!

As paredes descascam, a casa parece desolada, vazia. Contudo, um som insiste em encher os ouvidos com uma melodia simples, notória, que é puramente graça!

Enfim, posso ver o que antes não via -a janela através da qual observo o mundo - com uma visão renovada, não mais embaçada ou distorcida. Presto a devida atenção ao que o som ao meu redor quer dizer:

Não seja tolo a ponto de achar que tudo será riso ou flores, mas não seja tão estúpido a ponto de ignorar o que te digo: "dias melhores virão, você pode acreditar", e a paz que excede todo entender será sobre você se assim descansar em mim.

Da janela que observo o mundo, vejo uma vida nova. A vida que podemos ter. Nada mais do que a minha vida. A janela sou eu. Esperando apenas um olhar que me conduza em retidão até onde poderei te ver Senhor. Nada mais!

Caro leitor, que esta seja a sua perspectiva neste ano. Simplesmente é o que desejo a você. Deus o abençoe.