21 de fev. de 2011

Saindo do Castelo da Dúvida.

Meu avô paterno costuma dizer que cada pessoa tem um calo e apenas ela sabe onde dói. É bem verdade que há motivos de sobra para nos envergonhar quando olhamos para nosso sofrimento quando comparado ao que tantos estão passando. Ainda sim, a dor ainda continua lá, intacta, e neste caso, o que meu avô diz tem coerência.

Por que estou falando de sofrimento? Por inúmeras razões, motivos não faltam, infelizmente. Ainda ontem uma moça de trinta e um anos, depois de ter seu corpo açoitado pela dor gerada por um câncer, enfim pôde descansar. Uma dor que dá espaço a outra agora, a saudade, a falta já sentida pela família.

Fome, guerras, doenças, medo, violência... Sonhos que não deixaram o mundo particular dos pensamentos, mas já naufragaram. Dor gerada pelo pecado, pessoas vergadas pelo peso dos anos, maus anos, repletos de desafios, quedas, humilhações, indiferença... Olhos que choram. Os meus próprios olhos... Não entendo tudo sobre isso, e às vezes, reconheço, não quero entender.

Uma coisa eu sei: enquanto os dias correm com o vento, quanto mais olho ao meu redor, e perscruto minha própria vida, posso chegar a uma conclusão: o sofrimento, se assim permitirmos, pode ser uma forma de crescer. Nada de masoquismo, não é isso.

Quando estamos quebrantados, literalmente no chão, descobrimos realmente nossas fraquezas e reconhecemos nossa dependência de Deus. É aí que aprendemos a olhar para o alto, não com a atitude de altivez, mas com olhos que suplicam a presença de um Deus amoroso, que veio até nós, não poupando Seu próprio Filho, e nos estende as mãos, nos acolhe em Seus braços e nos mostra o caminho certo a seguir. Cristo sofreu, e o sofrimento dEle não foi em vão. Ele entende perfeitamente o que sentimos, pois como homem, embora sem pecado, Ele partilhou de nossas dores e angústias.

Talvez este seja o momento certo de transformar a lágrima em riso, não tentando manter a aparência de alguém invicto, de super herói, mas como alguém que reconhece que a estrada pode ser íngreme, os montes escorregadios, e os abismos muito próximos, que podemos nos perder no caminho e pegar atalhos que nos levam ao Castelo da Dúvida, mas nosso Pai não permitirá que o Gigante Desespero* nos mantenha como reféns.

Como bem disse John Piper: "Há apenas uma maneira de escapar do gigante Desespero e do Castelo da Dúvida que é a persistência da esperança e a chave da promessa."

O melhor lugar para se estar é na presença de Deus, em todos os momentos, principalmente quando a alma grita e as lágrimas não são suficientes. "Porque quando estou fraco então sou forte." (2 Coríntios 12.10b)

Reflita nisto e Deus o abençoe.

*Gigante Desespero - personagem do livro O Peregrino - Jonh Bunyan


16 de jan. de 2011

O Que Diz a Janela!


Uma janela... Por ela olho atenta o ambiente lá fora. Passam carros, freadas bruscas, pressa... Pessoas cujos semblantes são tão distintos e ao mesmo tempo tão similares. Sorrisos, olhos brilhantes, lágrimas a escorrer pela face. Aborrecimento, indiferença, fé, sonhos...

Junto com as estações e as mudanças climáticas, ciclos terminam e novas oportunidades aparecem. Mudanças - o que seríamos sem estas modeladoras de pensamentos e atitudes? Questiono-me.

O vento passa veloz por meu rosto, a chuva se faz anunciar no horizonte. Nuvens negras e pesadas, o cheiro de terra molhada e o sol que desponta com maestria após a tormenta, lembram que nada parou. Os homens continuam saindo para o trabalho, a correria acelera ainda mais o ritmo da locomotiva diária, os mortos continuam a ser lembrados e sua perda sentida, lamentada, chorada, enquanto os vivos tentam seguir em frente, se agarrando à esperança de que algo irá mudar. Tem que mudar!

As paredes descascam, a casa parece desolada, vazia. Contudo, um som insiste em encher os ouvidos com uma melodia simples, notória, que é puramente graça!

Enfim, posso ver o que antes não via -a janela através da qual observo o mundo - com uma visão renovada, não mais embaçada ou distorcida. Presto a devida atenção ao que o som ao meu redor quer dizer:

Não seja tolo a ponto de achar que tudo será riso ou flores, mas não seja tão estúpido a ponto de ignorar o que te digo: "dias melhores virão, você pode acreditar", e a paz que excede todo entender será sobre você se assim descansar em mim.

Da janela que observo o mundo, vejo uma vida nova. A vida que podemos ter. Nada mais do que a minha vida. A janela sou eu. Esperando apenas um olhar que me conduza em retidão até onde poderei te ver Senhor. Nada mais!

Caro leitor, que esta seja a sua perspectiva neste ano. Simplesmente é o que desejo a você. Deus o abençoe.

1 de dez. de 2010

Identidade - Vale a Pena Fingir?

Faz algum tempo que penso em escrever algo sobre máscaras. Não quero escrever algo lógico, banal, não quero falar de trivialidades que envolvem este assunto, o problema - pois é um problema e dos grandes - é mais profundo do que meras palavras. Estes dias li um texto de Fernando Saraiva, autor do blog Shekinah da Vida, e uma pequena frase, mas de grande significado, ficou pairando em minha mente e deu o empurrão que faltava para que as palavras que há tempos borbulham aqui dentro fluíssem pelos meus dedos - e dizia assim:

"Todos os dias busco uma identidade pessoal, algo difícil de construir, e sei que levará um bom tempo para ser terminada."

Todos os dias busco uma identidade pessoal... Como eu gostaria de ser? Com quem gostaria de me parecer? Não quero estas rugas, nem este nariz afilado demais; não posso deixar que percebam que não sou tão forte como demonstro ser, que há tantas coisas sobre as quais nada sei. Não desejo ser esta pessoa impulsiva, que não contém as lágrimas, um fraco, talvez... Quero ser popular, ter amigos, ter bens... coisas do gênero. Não faz sentido ser como sou, ser quem sou, se as pessoas nem sempre gostam do que vêem depois da embalagem. Daí as máscaras... Simplesmente viável, perfeito, confortável. Será mesmo?

Quando estiver triste, mostrarei um sorriso sem graça, mas de tal forma plastificado, enfeitado, maquiado, que as lágrimas que escorrem pelo meu rosto não serão notadas, tamanho seu brilho, ainda que falso. Quando com raiva, com vontade de jogar tudo pro alto e encarar que sou tempestivo, me cobrirei com o véu da tranquilidade, mostrarei toda minha amabilidade, compreensão e paciência. E os meus defeitos? Bem, irei ignorá-los, eles só atrapalham, e se fingir que não existem, desaparecerão... se não "existem" pra mim, não existem pros outros.

E meus pecados? Bobagem! O que há hoje é um desvio de conduta, algo muito simples, nada de alarmante. Isso a que chamam de pecado nada mais é do que argumento da oposição, palavras de fanáticos... Sou uma pessoa boa, atenciosa, faço tudo que estiver ao meu alcance para ajudar a todos, que história é essa agora? Só por que vez ou outra escorrego um pouco aqui e ali, em umas coisinhas tolas, você vem apontar o dedo pra mim? Você é diferente de mim?

Conhecemos muito bem estes argumentos, de ouvir falar e principalmente de ditá-los para nós mesmos, de repetí-los até a exaustão - quem sabe assim não nos convencemos, não é mesmo?! E de tanto fingir, de tanto encenar, perdemos nossa verdadeira identidade. Olhamos no espelho e este rosto, este sorriso, estas roupas, tornam-se parte de nós, ou melhor, nos tornamos parte delas, um enfeite a mais, uma peça de brechó. E quem somos? Investimos tanto tempo, esforço e dinheiro em mostrar aos outros o que não somos... Construímos nossas vidas em torno de toneladas de lixo. E pra que? Aceitação?! Então eu pergunto: Como buscar aceitação, se nem ao menos sabem quem sou de fato?

Enquanto passamos a vida inteira tentando manter uma situação insustentável, pois é certo que em algum momento a máscara irá ruir, perdemos a chance de vivermos e convivermos com as pessoas de forma normal, aceitando que não somos super homens ou mulheres, e o que é pior, perdemos a oportunidade de sermos aceitos verdadeiramente como somos, mas não somente isto, perdemos a oportunidade de sermos moldados, tratados e transformados em seres humanos melhores, como fomos criados para ser. Fingimos que vale a pena fingir... e isso tem um preço alto e amargo demais!

Independente de qualquer coisa, esquecemos de Alguém que nos vê como realmente somos, do Deus que nos aceita a tal ponto que não poupou a vida do Seu próprio filho para que pudéssemos ser introduzidos diante dos Seus olhos de amor, na Sua presença, aquele que está interessado em não apenas nos receber em trajes imundos em Sua casa, mas em trocá-los e desfazer a sujeira em que nos encontramos. Interessado em quebrar nossas máscaras e rasgar nossas capas, para que nosso fulgor antes ultrajado por elas, brilhe, mostrando que não vale a pena fingir, não precisamos fingir, pois somos Sua imagem e semelhança, e ainda que esta imagem e semelhança esteja corrompida, Ele deseja e pode restaurá-las!


A verdade é que somos nós mesmos que determinamos se vamos usar máscaras ou não. Quem seremos. Uma coisa eu sei, a identidade que pretendo construir a cada dia, ainda que dure tempo, ainda que me custe muito, é a de filha de Deus, Sua imagem e semelhança restaurada! Nenhum preço pode ser mais alto do que aquele que Ele pagou por nós na cruz!

"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito (filho único), para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3.16) E por que Ele amou, não preciso mais fingir, e por isso, João 3.16 hoje pode ter um significado muito maior, vivo e atual para mim e para você!


17 de nov. de 2010

Aprendendo Lições na Caverna.

Bom dia! Gostaria de compartilhar com vocês hoje, um post que escrevi para o CDC (Conversa Decente Cristã) onde sou colunista juntamente com outros três amigos. É um texto muito especial pra mim, enquanto o escrevia pude sentir Deus confortando o meu próprio coração, e sei que tem um propósito dEle em colocar em meu ser a vontade de dispor este texto aqui. Espero que Ele fale de forma graciosa com vocês assim como falou comigo, e peço que apesar do tamanho um pouco extenso não deixe de lê-lo até o final.

Tudo começou com uma discussão. As brigas continuaram, mas agora, o silêncio da indiferença ecoa nas vielas do seu ser, o amor que havia, se foi e o casamento que parecia tão sólido, ruiu. Você conhece a dor da perda, assistiu a muitos funerais, presenciou pessoas queridas se distanciarem, filhos, pais, esposas morrerem, amizades desfeitas, e tudo o que existe é um vazio e desespero tão intensos, quase palpáveis.

Todos perderam a confiança em você, porque se tornou um estranho, até perigoso. O seu vício é tamanho que já não basta se embriagar até cair ou simples cigarros, aumentou-se a dose e o que surte efeito é a cocaína e o êxtase; não existem mais escrúpulos, tudo é válido para sustentar esta situação: enganar, roubar, espancar e até matar.

Conhece também a forma como as pessoas o tratam. Olhos de acusação, línguas afiadas que dizem: "Olha só o perdedor. Não consegue emprego. Também pudera! Quem confia em um ex-presidiário?" ou então "Lá está aquela mulher de vida fácil, uma prostituta. Não fale com ela, não se aproxime, ela é nociva!"

Em determinado momento, você gastou um pouco além do esperado, perdeu o controle da situação e sua dívida é tão grande, que não sabe o que fazer, a quem recorrer. Vive só, abandonado, ao relento, à própria sorte, em ruas violentas, em meio aos transeuntes de coração mais gélido que a neve. A fome, o frio, a perda de identidade, falta de amor, o estereótipo de desocupado, de vagabundo, são uma constante em seu dia.

Perversão é o seu lema.Você é um explorador, um sádico que abusa de crianças, e o seu prazer infame só é consumado, muitas vezes, com o óbito de um inocente. Você sofreu tanto e agora isso? Descobriu que lutou até mesmo quando não existia força alguma contra esta doença, mas são poucos os seus dias.

Ou simplesmente um cristão, que depois de tantas lutas, mesmo presenciando a grandeza de Deus, está desgastado, anda aos trambolhões em sua fé pequena e em seu desânimo. A lista é enorme... Você conhece a escuridão, o frio, o medo e o silêncio sempre constantes e crescentes da caverna. Na vida, não importa quem você é ou o que faz, o tamanho da sua conta bancária, sua cor, a religião que professa ter, se é influente ou está renegado a viver às margens da sociedade, culto ou iletrado. Nada disso poderá poupá-lo de adentrar o sombrio ambiente das cavernas que nos estão reservadas. Isso é fato!

Mas, hoje, quero compartilhar a história de um homem que sabe bem a que me refiro. O nome dele? Elias. Quem ele era? Um grande profeta que desafiou os famosos e cruéis Acabe e Jezabel, rei e rainha de Israel e os 450 falsos profetas de Baal e prevaleceu. Um homem excepcional que andava com Deus, ouvia Suas palavras e era direcionado por Ele. Mas houve um dia, em que as adversidades enfrentadas por ele chegaram a tal ponto, que decidiu fugir para o deserto e morrer. Suas forças se extinguiram, o cansaço passou a fazer parte de sua vida, e então Elias entrou na caverna, literalmente.

Convido-o a acompanhar comigo esta história no livro de 1 Reis 19.1-13, que diz assim:

"Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito e como matara todos os profetas à espada. Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles. Temendo, pois, Elias, levantou-se, e para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço.

Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.

Voltou segunda vez o anjo do Senhor, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida. Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranquilo e suave.

Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?"

Meditando neste texto, aprendemos algumas coisas muito especiais:
Aprendemos que desertos e cavernas, apesar de áridos, difíceis e locais de tentação, são lugares onde encontramos o Senhor! Observe que em nenhum momento Deus esteve ausente da trajetória que Elias estava trilhando. Foi assim com Moisés e o povo de Israel, durante quarenta anos no deserto e é assim também conosco hoje. Prefiro estar no deserto com o Senhor, do que em um oásis longe dEle!

Aprendemos que Deus supre nossas necessidades. No deserto, Ele enviou um anjo para fortalecer Elias, suprindo suas necessidades físicas, espirituais e preparando-o para que tivesse condições de seguir em frente e se encontrar com Deus na caverna. Aprendemos que o silêncio das cavernas não é casual. Tem o propósito de desenvolver em nós a sensibilidade espiritual para ver e ouvir o Senhor em qualquer situação, por mais adversa que esta seja.

Elias teve esta percepção, ele sabia que não precisava de grandes acontecimentos, de façanhas para sentir a presença do Senhor. Ele sabia que Deus também se revela no que é pequeno, singelo e que passa despercebido por muitos. Infelizmente, é o que mais ocorre conosco. Estamos tão ocupados, necessitados de respostas, que na nossa confusão, na vida agitada que levamos, perdemos oportunidades de ouvir o Senhor falar conosco, porque achamos que Ele só fala em grandes convenções, congressos cheios de pessoas, com pregadores saturados de fama humana.

Aprendemos que Deus nos tira da caverna, como fez com Elias. Ele nos chama para fora dela, e nos habilita a seguirmos adiante, nos fortalecendo e nos dando a certeza de que estará conosco em todos os momentos. Não entramos em cavernas por acaso, muitas vezes, somos nós mesmos que nos dirigimos para lá, seja por nossos pecados, por nossa arrogância, precipitação, e é certo que o Senhor não se agrada que fiquemos lá.

Mas outras vezes, é Ele quem nos conduz até lá, não para nos punir, mas para nos ensinar algo, para nos provar, e não se engane, por mais doloroso que isso possa ser, Ele só nos chamará e nos guiará para longe desse nevoeiro quando estivermos prontos. E por fim, aprendemos que chegará o tempo de sairmos da caverna. Mas o que acontece é que nos psicoadaptamos tanto com a escuridão, com os problemas, chegamos até mesmo a tirar alguns "benefícios" disso, que perdemos a noção de que é tempo de sair da escuridão da caverna para a luz de um novo dia. "O que fazes aqui, Elias?" Faça a si mesmo esta pergunta.

Em tudo isto, também aprendo Senhor, que não somos super heróis, não adianta fingir, não somos diferentes no tocante a este assunto. Muitos estão neste momento, como eu, na caverna, e tantos que nos rodeiam nem ao menos percebem isto. Mas eu também aprendo que, cedo ou tarde, o silêncio que reina em nossa caverna pessoal será rompido por Tua doce voz, e quando isto acontecer, e estou certa, vai acontecer, não seremos os mesmos, sairemos mais fortes, com ânimo renovado, provados pelo fogo das adversidades - e que importa que fiquem as marcas? - as cicatrizes serão apenas mais um lembrete de que passamos pelo teste e fomos aprovados, continuamos firmes rumo ao alvo - Jesus Cristo!

"Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos." (2 Coríntios 4. 8-9)

"Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem, são eternas." (2 Coríntios 4. 17-18)

Ele está presente! Acredite! Em cada momento, no seu vale, na sua alegria. Deus está!





2 de set. de 2010

Cristãos Verdadeiros - Reflexos de Cristo.

Graça e Paz a você leitor do Impactando Vidas. Depois de dois meses impossibilitada por falta de tempo e alguns problemas a resolver, hoje estaremos falando sobre um fato muito relevante, mas que tem sido ignorado. Preparados? Então vamos em frente.

Imagem: Lenara Monteschio

Ultimamente, há algo que inunda meu pensamento, seja ao levantar, durante o dia no decorrer das atividades cotidianas e principalmente ao deitar-me - que tipo de cristãos somos e o que as pessoas pensam a respeito de Deus quando olham para nossas vidas?

Sei que como qualquer outra pessoa, sou limitada, tenho defeitos e qualidades, e apesar dos meus esforços, sou imperfeita; apesar de muitos que me conhecem pessoalmente dizerem que tenho sido muito dura comigo mesma e que sou apenas humana, "o que mais poderia eu querer?" - aliás, este tem sido um pensamento comum a tantas pessoas a respeito de si próprias e em relação umas às outras - me vem à mente o que Rikk Watts escreveu em seu livro Livres para Amar:

"Quando a gente descobre que está se comportando mal, costuma dizer: "Ah, eu sou humano! É por isso que olho para as mulheres com malícia ou traio meu marido. Vez por outra, eu sonego um imposto ou passo um cheque sem fundo. De vez em quando, falo mal das pessoas, adoro uma fofoca. Mas, gente, eu sou apenas um ser humano!" Errado! Não é porque somos humanos que fazemos tudo isso. É porque somos menos do que humanos. Ser humano é ser feito à imagem de Deus. É ser coroado com glória e honra. É ser o alvo da promessa de vida, de ressurreição em um corpo transformado, como o de Jesus. O nosso problema é não sermos humanos o suficiente. E quando Deus vem a nós, em Jesus, está demonstrando para o quê fomos concebidos, o que, verdadeiramente, significa ser "humano"."

O apóstolo Paulo nos diz que devemos ser imitadores de Cristo, como ele era:

"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." (1 Coríntios 11.1)

Brennan Manning, em seu livro Convite à Loucura nos diz que Soren Kierkegaard, o pai do existencialismo cristão, descreve dois tipos de cristãos: os que imitam Jesus Cristo e um segundo tipo de pouco valor, aquele que fica contente em admirar o primeiro. E é terrível constatar em nossos dias o que Agostinho registrou nas seguintes palavras:

"Muitos que chegam perto do caminho da fé afastam-se amedrontados pela vida perversa dos maus e falsos cristãos. Quantos, meus irmãos, vocês acham que são os que querem se tornar cristãos, mas são repelidos pelos maus modos dos cristãos?"

Não sei quanto a vocês, mas estou farta, extremamente cansada de falsas doutrinas, falsos profetas, falsos cristãos, que infelizmente têm alcançado êxito em enganar os incautos; de todo este farisaísmo, que a meu ver tem sido muito pior do que aquele existente nos tempos de Jesus. Não pensem que sou hipócrita, apontando o dedo para o erro alheio e fingindo que sou exemplo de perfeição. Absolutamente, não. É tão difícil muitas vezes olhar para mim mesma e perceber tantas atitudes tão distantes dos padrões do cristão que imita a Jesus.

Deus estou cansada da minha falta de fé, de olhar tantas vezes apenas para o problema, para minha inconstância, de reclamar, quando tudo o que preciso fazer é voltar-me para Ti. Estou exausta de trivialidades da rotina, que tentam me separar do Senhor, das futilidades em que vejo tantos jovens cheios de capacidade e talentos se afundarem, enquanto os campos estão brancos para a ceifa, enquanto muitos morrem em trevas, porque os cristãos estão dormindo na luz, porque não conseguimos perceber que há tantas necessidades, mas nós só conseguimos tocar a superfície delas.

Será que é demasiado difícil fazer diferença? Será que é demais buscar ter santidade, excelência naquilo que fazemos para Ti, honestidade, honradez e dignidade em nosso viver? Se tentarmos por nossos próprios meios, força ou entendimento, será impossível, mas se for por intermédio e dependência do Senhor, não. "No momento em que os religiosos ficam religiosos demais e os retos ficam retos demais, Deus encontra alguém na caverna que acende uma luz." (Max Lucado) Que possamos ser este alguém!

O meu anseio mais profundo Pai, é que não sejamos motivo de tropeço para os outros, e que ao olharem para nossa vida e conviverem conosco, as pessoas possam notar tamanha diferença, a Tua vida sendo vivida em nós, de forma que seu próprio viver seja transformado, gerando proclamações de louvor e glória ao Teu nome.

Concluindo, deixo para meditação de cada um, as palavras de uma jovem de vinte e três anos de idade, registradas em seu trabalho acadêmico na Universidade de Paris:

"Para mim, um cristão é ou um homem que vive em Cristo ou um impostor. Vocês, cristãos, não percebem que é com relação a isto - ao testemunho quase superficial que vocês dão de Deus - que nós os julgamos. Vocês deveriam irradiar Cristo. Sua fé deveria fluir para nós como um rio de vida. Deveriam nos contaminar com seu amor por Ele. E assim, então, que Deus, que era impossível, se tornaria possível para o ateu e para aqueles de nós cuja fé oscila. Não podemos evitar o choque, o transtorno e a confusão que sentimos ao ver um cristão que seja, de fato, como Cristo. E não o perdoamos quando ele não o é."

Reflitam também neste vídeo que tem tudo a ver com este post. Que esta possa ser nossa oração e nosso modo de viver hoje e sempre, para a glória de Deus!